Organização Administrativa Bahá'í
A organização administrativa da Fé Bahá'í é um sistema único criado por Bahá’u’lláh baseado em princípios de consultação e cooperação. Após o falecimento de Bahá’u’lláh, a Fé foi primeiro liderada pelo Seu filho mais velho, ‘Abdu’l-Bahá, e depois por Shoghi Effendi, neto de Abdu'l-Bahá. Tem sido governada internacionalmente desde 1963 pela Casa Universal de Justiça. Assembleias Espirituais dirigem as actividades Bahá'ís nas comunidades locais e nacionais.
A Casa Universal de Justiça e as Assembleias Locais e Nacionais são eleitas democraticamente, sendo formadas por nove membros.
Assembleia Espiritual Local (Conselho Local)
Numa localidade onde existam pelo menos nove bahá’ís é eleita uma Assembleia Espiritual Local (AEL) com a função de coordenar, apoiar e desenvolver as actividades bahá’ís a nível dessa localidade em relação a todo o tipo de actividades ali desenvolvidas.
A eleição dos membros que irão formar a AEL é feita por voto secreto, sem candidatos e anualmente, entre todos os bahá’ís residentes nessa localidade. Os nove nomes mais votados formarão a AEL.
Entretanto, os bahá’ís que são eleitos podem aceitar pertencer à nova AEL tomando essa eleição como uma oportunidade de serviço à comunidade, feita por amor e sem qualquer tipo de remuneração. Se um ou mais por qualquer razão não aceitar esse cargo, será feita nova eleição para o número de membros que ficam em falta, até que se obtenham a totalidade dos nove membros.
Assembleia Espiritual Nacional (Conselho Nacional)
Tal como a as Assembleias Espirituais Locais (AEL), também a Assembleia Espiritual Nacional (AEN) é eleita anualmente e formada por nove membros. Identicamente, no processo de eleição não há candidatos, sendo eleitos os nove nomes mais votados da eleição. Neste caso todos os bahá’ís, com mais de 21 anos residentes no território nacional são elegíveis. A eleição da AEN é feita numa ocasião especial, chamada Convenção Nacional, através de delegados nomeados por cada uma das várias AEL existentes no país. Na ocasião aproveita-se para debater e consultar entre os delegados sobre questões locais que tenham interesse e abrangência nacional.
A Assembleia Espiritual Nacional tem basicamente as mesmas funções que qualquer AEL, mas existe uma estrutura hierárquica entre elas. Assim, um país tem uma só AEN que coordena e suporta a comunidade bahá’í desse país em conjunto com as várias AEL. Estas ultimas são totalmente independentes entre si a nível de funcionamento e tomada de decisões, mas devem seguir as directrizes estabelecidas pela AEN.
Casa Universal de Justiça
A Casa Universal de Justiça é o corpo supremo que governa a Fé a nível mundial. Bahá'u'lláh incumbiu-a de legislar e revogar aquelas leis que não tinham sido explícitamente ordenadas por Ele, de acordo com as necessidades do tempo.
A mesma relação que existe entre uma Assembleia Espiritual Nacional (AEN) e as Assembleias Espirituais Locais (AEL) é aquela que existe entre a Casa Universal de Justiça e as várias Assembleias Nacionais de todos os países do mundo.
Igualmente o processo de eleição é semelhante ao da eleição das AEN. É feita uma Convenção Internacional onde se reunem os nove membros de todas as AEN de todos os países do mundo onde existem bahá’ís, mas neste caso apenas em cada 5 anos e não anualmente como nas eleições nacionais. Nessa ocasião são eleitos, de entre todos os bahá’ís do mundo, os nove membros que formarão a nova Casa Universal de Justiça para os 5 anos seguintes.
Generalidades
Os membros de qualquer um destes três tipos de instituições bahá’ís não têm nenhum privilégio material, tampouco a sua posição na comunidade fica exaltada acima dos restantes bahá’ís, o desempenho das suas funções é feito por espirito de serviço e amor à causa bahá’í.
Igualmente, a titulo individual os membros de qualquer uma das instituições não têm nenhum tipo de autoridade sobre os restantes membros de instituições ou não membros em geral. De um modo geral, as ideias e sugestões de cada membro são assumidas como de todos na Assembleia, e as decisões devem ser tomadas no mínimo por maioria, embora idealmente por unanimidade. Por isso e para que se consiga atingir esse ideal, as sugestões são amplamente debatidas, através do processo bahá’í de consultação, que no fundo é a tentativa de troca universal de opiniões sobre um tema num espirito de desprendimento dos preconceitos egocêntricos pessoais, focalizando-se apenas na resolução de problemas e não na tentativa de imposição da opinião individual.
Uma consequência muito positiva deste sistema é a de que as decisões nunca são produto de um só indivíduo, elas são aperfeiçoadas pela contribuição de vários. Há, desta forma, uma maior probabilidade de tomada de decisões correctas sem que as naturais imperfeições individuais corrompam os elevados padrões dos princípios bahá’ís a serem aplicados na sociedade.