IBERICAN - Mais de 300 jovens juntam-se para refletir no papel da sua geração em contribuir ao progresso social
Cerca de 320 jovens da Península Ibérica estiveram reunidos entre 27 e 31 de agosto no Albergue Sierra Norte, em Madrid, no encontro IBERICAN. Quatro anos depois da anterior edição, realizada em 2022, o encontro quis inspirar os jovens e levá-los a refletir sobre o papel que podem ter no desenvolvimento das suas comunidades. De Portugal estiveram presentes cerca de 50 participantes.
Um dos temas centrais foi a visão de um mundo unido e o reconhecimento das forças sociais construtivas e destrutivas que nos afetam. Os participantes refletiram sobre como as suas comunidades podem ser refúgios de esperança para a humanidade e sobre a responsabilidade que cada pessoa pode assumir para contribuir para essa visão.
Outro tema central foi o papel do Instituto de Capacitação Bahá'í, o programa educativo através do qual as comunidades bahá'ís desenvolvem as capacidades de jovens e adultos para servir o bem comum, acompanhando o indivíduo desde a infância até à vida adulta. Os participantes exploraram de que forma estes processos educativos podem contribuir para a transformação, tanto das pessoas como das comunidades.
O Instituto foi apresentado como a ferramenta de uma verdadeira revolução educativa, que procura desenvolver as comunidades nos planos espiritual e material. É um meio de acompanhar as pessoas no desenvolvimento de capacidades que lhes permitam contribuir para o bem-estar dos outros, num processo de aprendizagem e ação a longo prazo.
Insistiu-se que o Instituto não é uma mera série de atividades, mas uma forma de tecer fios entre pessoas. Isso exige compromisso, obriga a perguntar o que deve ser prioritário e mostra a importância de ter conversas profundas com quem nos rodeia. A pergunta que esteve por detrás de quase todo o material de estudo foi sempre a mesma: que impacto teve o Instituto na minha vida e na vida da minha comunidade?
O terceiro tema foi a passagem da reflexão à ação. Como lembraram os participantes, a transformação não acontece apenas porque há reuniões e conferências, e por isso uma parte importante do encontro foi dedicada ao planeamento. Os grupos traçaram planos de ação concretos e saíram com clareza sobre o que fazer e com as ferramentas para o fazer.
Os intervalos decorreram num ambiente muito descontraído, em plena natureza, com zonas para desporto e música, que favoreciam o convívio entre pessoas de todas as origens e o surgimento de novas amizades. Os workshops de arte, criação de vídeo, dança e desporto foram dinamizados pelos próprios jovens e revelaram-se muito úteis, porque são competências que cada um pode levar para a sua comunidade.
Houve também espaço para ganhar uma perspetiva mais ampla, através de fóruns sobre "a verdade e a consulta como ferramenta", a "saúde mental e os vícios", e "a família como instituição social". O número de participantes levou também à organização de um espaço específico para conhecer melhor a Fé bahá'í, no qual participaram tanto jovens bahá'ís como outras pessoas que desejavam aprofundar nos seus ensinamentos. A possibilidade de escolher entre diferentes espaços de reflexão permitiu aos presentes explorar questões de interesse pessoal e enriquecer a sua compreensão da Fé.
Os momentos devocionais foram simples, descontraídos e inspiradores. A música e a oração estiveram sempre presentes, com jovens a cantar e a orar a qualquer hora, e partilharam-se culturas e idiomas. Os jovens portugueses apresentaram uma peça de teatro sobre a vida de Mona Mahmudnizhad, uma jovem iraniana martirizada aos 17 anos, uma história de serviço e sacrifício que tocou todos os presentes.
Para Alexandra Teixeira, uma das jovens portuguesas presentes no encontro, o IBERICAN foi uma experiência que pareceu ir muito além da sua duração. «Apesar de ter durado cinco dias, a sensação é que estivemos lá mais tempo uns com os outros. Permitiu-me conhecer pessoas excecionais que vou levar para a vida, pessoas acessíveis que partilharam as suas experiências, a sua forma de pensar e o modo como a sua vida foi positivamente afetada pela comunidade», explicou.
O encontro deixou-lhe também algo para o futuro: «Criou-se uma rede de suporte com a qual posso contar para consultar preocupações e o progresso dos planos que nos comprometemos a desenvolver ao longo dos dias em que debatemos e consultámos sobre os temas propostos».
«Senti-me incluída no cuidado que tiveram para não excluir ninguém, o que nos permitiu concentrar-nos em aproveitar o espaço para conhecer pessoas e trocar experiências», referiu. Entre os momentos que mais a marcaram, mencionou a composição de uma música sobre a Esperança, a reflexão em grupo sobre o papel do jovem na sociedade e os momentos de lazer, que permitiram partilhar vivências com a comunidade.
«Fui para o IBERICAN sem saber o que esperar nem que competências iria adquirir, e saí de lá de coração cheio e de mente curiosa», concluiu.
No final do encontro, ficou colocada uma questão que ultrapassa os cinco dias partilhados: como levar o que se aprendeu a outras pessoas. O acompanhamento mútuo entre os jovens, os facilitadores e outros colaboradores será importante para que os planos elaborados durante o encontro possam ser postos em prática e se tornem oportunidades de aprendizagem contínua.
Mais do que oferecer respostas fechadas, o IBERICAN permitiu aos jovens avançar juntos na exploração de como podem contribuir para o progresso das suas comunidades. O encontro mostrou que, quando se criam espaços de confiança, reflexão e ação, os jovens não só participam na vida comunitária como podem assumir uma responsabilidade e protagonismo crescente na sua construção.




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